quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Dói, dói muito... é como se meu coração tivesse sendo arrancado do meu peito com uma colher.
Assim como diz Neruda: "O amor é tão curto, o esquecer tão longo".
Acordo no meio da noite sem conseguir respirar com o coração miúdo. QUERO GRITAR!
Gostaria de arrancar a memória da minha cabeça. Quem sabe com ela sairia também a dor do meu peito...



Berlim, 21 de janeiro de 2014

segunda-feira, 17 de junho de 2013

O Policial na cabeça

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Hoje ao voltar para casa no metrô, sentei-me ao lado de uma garota muçulmana muito jovem, deveria ter no máximo 22 anos. Ela olhava fotos em seu celular, fotos dela com um bebê recém-nascido no colo. Ela desligou e celular e arrumou seu véu para não deixar seu queixo a mostra.  Tinha um sorriso doce e um olhar triste. Então lembrei-me de Boal, do teatro do oprimido e da “polícia dentro da cabeça”.

Lembrei-me que a maior prisão do ser humano é aquela que lhe é embutida na cabeça, ela é invisível, não a vemos, mas dificilmente conseguimos nos livrar dela. É muito fácil perceber essa prisão em casos extremos como a educação religiosa ortodoxa, sendo ela qual for, mas a maior hipocrisia encontrada é a que existe em pessoas como eu, pessoas que se sentem livre e se espantam e se comovem com cenas como a que  vi hoje. Eu comecei a pensar, refletir quais eram as minhas prisões, sim todos nós temos, até você!

Pensei em tudo o que quero, penso e faço. Tentei dividir e achar o que é realmente meu e o que é, por causa do meio e então me perdi. Perdi-me na tentativa de achar o que era meu. Tudo era apenas um reflexo do que eu aprendi que é importante e o que faço é para preencher essa expectativa, ou simplesmente para quebra-la, mas mesmo seguindo o impulso da subversão ainda assim ajo em função de algo.

Fiquei triste e com um olhar triste e um sorriso doce compreendi que o que me chamou a atenção nessa moça é o fato de estarmos juntas.

Berlim, 17 de Junho de 2013.

domingo, 16 de setembro de 2012

Reinauguração

Reinauguração 

Depois de muito tempo eu resolvi voltar a escrever em meu blog. Aliás, já faz um tempo que quero voltar a escrever. A questão é sempre: o que escrever? Pensar eu penso muito, falar, falo mais ainda, as vezes mais do que penso, mas e então?

 O que mais vejo hoje em dia são blogs de todo o tipo, nos quais pessoas de todo tipo querem mostrar todo tipo de coisas: seus poemas, seus hobbys, suas artes, suas ideias e suas opiniões. E pra que? Será que discussão de internet serve pra algo mais do que a satisfação do ego particular?

Podem até discursar sobre o poder de alcance da internet e o seu poder de influência. Mas que tipo de influência é essa, já que todos podem proliferar suas ideias e opiniões sejam elas quais forem? E quando digo todos, não seria esse “todos” apenas uma parcela da humanidade que tem acesso aos computadores e a internet e por isso tem o privilégio de receber as ideias e compartilhar a própria?

“Não”, irão dizer, “hoje em dia realmente todos tem acesso.”

 

 E essas pessoas que não têm acesso, será que a opinião delas não seriam as mais importantes para nossa formação e vice versa? Então de que adianta ficar sentada em frente a essa máquina maravilhosa, digitando freneticamente suas indignações perante a sociedade ou assinando abaixo-assinados para causas importantíssimas?
Acho que essa é a única questão da qual todos nós já sabemos a resposta.

 E assim reinauguro a autossatisfação do meu ego!

Berlim, 16 de setembro de 2012